24/06/2019

O Jornal Mídia Kit Anuncie Edição Digital Fale Conosco  

24/06/2019

De rota de fuga de escravos a grande valor simbólico para a história do Jabaquara

Publicado em 21/03/2019

Aos poucos metros do metrô Jabaquara e do terminal intermunicipal do Jabaquara, a Casa Sítio da Ressaca, completou 300 anos desde sua edificação, foi construída em 1719, como datada escritura no

Aos poucos metros do metrô Jabaquara e do terminal intermunicipal do Jabaquara, a Casa Sítio da Ressaca, completou 300 anos desde sua edificação, foi construída em 1719, como datada escritura no batente da porta principal, que dá acesso a casa. A residência possui seis cômodos contando com o alpendre. As madeiras da casa, por exemplo, portas, janelas, telhado e entre outros eram produzidas a partir da mão de obra dos escravos.

A Casa Sítio da Ressaca é de estilo bandeirista. As casas bandeiristas da época possuíam em seus cômodos capelas destinadas a alguma imagem santificada que os moradores “adoravam”, porém ao contrário dessas, a casa Sítio da Ressaca possuía apenas um nicho separado para a colocação de alguma imagem santificada. Assim como as demais casas de estilo bandeirista a Casa do Sítio da Ressaca foi construída com taipas de pilão.

Não se sabe ao certo, mas especula-se que os primeiros escravos a penetrar o solo brasileiro, se deu entre 1538 e 1542, porém, em seu auge mais de dois milhões de escravos foram trazidos da região africana para produzirem no Brasil, em situações bem precárias nos chamados Navios Negreiros ou Tumbeiros. Navios este que, além de servirem de transportadoras de escravos, traziam também especiarias, como café, açúcar dentre outras mercadorias.

Provavelmente, a casa Sítio da Ressaca, pode ter sido lugar de refúgio, utilizados pelos escravos vindo do interior de São Paulo, onde repousavam até o dia de sua partida para o litoral da capital paulista, como descreve o historiador Flávio Viana em entrevista ao Diário do Litoral “o Sítio da Ressaca pode ter sido um quilombo de transição. Eles eram escoltados pelos caifazes e a pé iam pelas estradas vicinais ou seguiam a linha férrea com destino a Santos. A rede protetora dizia que horário era bom e que caminho era mais fácil”, afirmou o historiador Flávio Viana.

Pensando em uma nova opção de lazer para a população Jabaquarense, em 2002 foi implantado no Sítio da Ressaca, o Acervo da Memória e do Viver Afro-Brasileiro, contendo exibições e atividades focadas à memória afro-brasileiro, além deste novo acervo, a Casa integra desde 1990 o Centro de Culturas Negras do Jabaquara - Mãe Sylvia de Oxalá e a Biblioteca Municipal Paulo Duarte.

Tombada em 1972, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (CONDEPHAAT), sob o compromisso da Empresa Municipal de Urbanização (EMURB), sendo reinaugurada em 1979. Porém, devido a um incêndio, teve que ser novamente fechada ao público para a restauração do que o fogo havia consumido.

A Casa Sítio da Ressaca possui algumas peculiaridades em relação aos demais exemplares de casas bandeiristas existentes na cidade: a assimetria de sua planta, um único alpendre não centralizado na fachada principal e o telhado de duas águas. Seu último proprietário, Antonio Cantarella, responsável pela urbanização do bairro do Jabaquara, transformou o sítio em chácara, realizando seu loteamento em 1969. Esta modificação coincidiu com a chegada do metrô à região e a desapropriação de mais de um terço da área, para instalação do pátio de manobras do metrô.

A moradora Maria de Fátima, 55, em entrevista ao site 32xSP, relata desconhecer o local, pois o “único museu que eu conheço é o do Ipiranga e raramente nós vamos porquê não temos dinheiro para pagar condução. A gente não está nem sabendo desse museu (Casa Sítio da Ressaca), e tem muitas outras coisas que às vezes ficamos sabendo por um ou outro” diz.

Segundo estudo ainda não conclusivo, a casa pode ter abrigado Vigário Albernaz, homem branco que liderou um grupo de escravos durante aqueles tempos. Porém a Casa da Ressaca pode ter sido um lugar de abrigo e refúgio entre os escravos que fugiam da escravidão, até o dia em que foi assinado pela Princesa Isabel a lei Áurea, dando liberdade aos escravos.

A peça teatral

Para comemorar os 300 anos de sua existência, uma peça teatral dirigido por Igor Bartchewsky, (Jabaquara...A terra de um sonho cidadão) foi preparada e se apresentou neste dia 17/03.

A peça começa retratando de como era o tratamento dado pelos coronéis aos escravos e índios, onde faz o espectador refletir como a discriminação e a superioridade era presente na sociedade na época. Tudo começa com a invasão do coronel com seus capangas à terras indígenas, após isso, um negro fugitivo pede refúgio na tribo e é atendido, mas a “liberdade” dura pouco e depois de pouco tempo seu senhor chega para levá-lo novamente para a senzala, lá, ele é torturado até entregar a rota de fuga dos outros dois negros que foram embora em busca de liberdade. Desde 2005, foi implantado na encenação, a cultura Hip-hop, onde jovens dançam, levando uma mensagem de paz nas comunidades.

Em outra cena, mostra passo a passo, de como foi criado o distrito do Jabaquara. Trouxe a público uma cena familiar, como era o transtorno para chegar em casa depois de um dia de trabalho, nos ônibus lotados e em condições precárias. Porém, tudo isso melhorou com a criação da primeira linha férrea de São Paulo ( linha 1 azul que liga a zona sul a norte). Noutra ocasião oportuna, como era religiosidade na época. Quem decidisse seguir o catolicismo e se tornar freira, por exemplo, teria que largar o que tinha na cidade e viver nos sítios impostos pela igreja.

Crianças, jovens, adultos e inclusive pessoas com deficiência (inclusão social) fazem parte do elenco, todos treinados pelo diretor e produtor Igor Bartchewsky. O elenco possui um sonho em comum, poder transmitir alegria e diversão para a sociedade através da arte.

“Não existe lugar no mundo igual o Jabaquara, não dá para acreditar que nessas quatro paredes (parte do teatro do Centro de Culturas Negras do Jabaquara) muita coisas acontecem e que estamos aqui agora, comemorando o aniversário do Jabaquara e os 300 anos da Casa do Sitio da Ressaca. E quando eu estava num momento complicado de minha carreira artística e a Rosa Maria Gomes (diretora do Jornal Jabaquara em notícias) me ligou e me incentivou a seguir em frente” afirma Igor Bartchewsky.

O sanfoneiro Jô Silva, veio de Pernambuco para poder prestigiar o Jabaquara e fez uma adaptação da música Casinha de Taipa em comemoração ao Casa do Sítio da Ressaca, “ eu vou cantar Casinha de Taipa, música esta que deixo registrado aqui nesta festa maravilhosa. Agradeço muito poder fazer parte desta família é uma graça de Deus” avalia Jô Silva.

Nesta solenidade também se fizeram presente a Miss Simpatia adulta 2019 Sarah Rodrigues, 19, e a Miss Melhor Idade Silene Bartchewsky, 60. Além de shows nas vozes de Robson Miguel, onde sua música é referência em mais de 130 países, o músico cantou e interpretou e Cisa Aragão que animou na abertura da 8° encenação Jabaquara...A terra de um sonho Cidadão.

 

FECHAR

 
Publicidade